26.3.10

BACK TO SCHOOL

Dou comigo a recusar o que mudou em Macau, tenho a sensação de que há certas zonas da cidade, que simplesmente apago com uma borracha. Fecho os olhos e tento recuperar aquilo que foi. Não é que eu seja uma pessoa nostálgica e virada para o passado, pelo contrário, mas se em tempos procurava com entusiasmo as diferenças entre um tempo e outro, hoje, há coisas que prefiro deixar como estão...
Voltar ao Liceu foi uma delas. A escola podia ter sido em Macau ou em Portugal, a verdade é que também há anos que não entro na faculdade, com a diferença de que esta última continua decadente e igual a si própria, apenas algumas mudanças na envolvente.... Em Macau a história é outra, viramos as costas e passado 6 meses surge um novo 'cogumelo', praga da humidade... Ora, imaginem isto em 10-13 anos. Estive alguns dias a 'evitar' lá ir, arranjava 1001 desculpas para não passar à porta, até que achei que tinha chegado a hora...
Cheguei ao ZAPE (Jardim dos Skatistas) e fiquei baralhada se me tinha enganado na rua. O Liceu 'respirava' naquela zona, ainda sou do tempo em que era o único edifício daquela área e que ir para lá era como ir para o Desterro... Hoje o edifício parece quase de brincar, tímido, desolado, escondido atrás duma série de casinos e desconfio que daqui a 10 anos será completamente engolido pelos outros... Atrás umas torres, alguém me disse que os pavilhões de Ed. Física foram-se há muito, a paisagem está completamente transformada...
Estive vai não vai para entrar... Mas algo que me fez parar, julgo que não quis entrar sozinha, com receio de ter o choque da minha vida... A verdade é que apesar do entusiasmo de antigos alunos que dizem que o interior então melhorou susbstancialmente, isto não me espanta, dado que 'crescemos' num ambiente taveirista, acho que até isso o tornava único. Foram muitos os momentos e achei que entrar seria uma troca um pouco injusta, era sobrepôr memórias, as quais prefiro não perder.
Perante isto, fiquei à porta, imaginando o toque para entrar, a algazarra para descer as escadas, o eco do átrio, o chão peganhento da humidade, o cheiro do Bar, os berros da D. Cristina, a contínua, senti-me completamente inerte, olhei uma última vez e o Liceu pareceu-me pequenino...

1 Comments:

Blogger mm said...

Tive a mesmíssima sensação quando estive lá de férias... sobretudo quando vi a floresta de edfíficios à volta da antiga nossa ilha à la Amoreiras;-))))

17:52  

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