12.6.09

UNDERWATER

No primeiro dia na Malásia senti-me como se estivesse num jogo de computador. Eu, uma personagem que viajava sozinha e como destino o Bornéu Malaio. Infelizmente faltava-me o porte sexy de Lara Croft mas não me deram oportunidade de escolha.

Como desafio uma série de actividades já programadas para ganhar pontos, no meu caso amigos e experiências. Premi START e aí estava no meu nível 1: um curso de mergulho – Open Water Scuba Diving PADI – uma coisa séria que me exigiria um exame no final e 3 dias das minhas férias.

Ao fim dumas poucas horas e de um longo capítulo de teoria aprendi a abrir a botija e atirar-me de costas como mergulhadora profissional. Barbatanas, pesos, colete, respirador, confesso que muita informação duma só vez.

Aprendi a ‘roubar’ O2 ao meu buddy e encontrei o meu primeiro NEMO.

Numa luta constante entre corpo e mente, um tentando demonstrar que era possível respirar debaixo de água, o outro em completa negação, ou seria vice-versa? A mente a dizer que era possível e o corpo debatendo-se contra a anormalidade de tal situação.

Tudo corria aceitavelmente até ao ponto em que comecei a descer e me encontrei a alguns metros de profundidade. 6 m debaixo de água e os meus ouvidos não cediam à pressão. Meia abalada fiz o sinal de alerta ao meu instrutor e pedi para subir. Os meus ouvidos estouravam e a minha cabeça também.

O facto de me encontrar semi-constipada entre muitas outras coisas, não ajudava. Enquanto o meu corpo se debatia com a dor, a cabeça fez-me de repente aperceber onde estava e julgo que entrei em pânico. Olhei para cima, via a luz do dia, mas em redor não estava no meu habitat natural. Tristemente percebi que não sou sereia. Apercebi-me do pânico e tive de me pedir para acalmar e respirar bem fundo. A minha garganta estava extremamente seca do ar comprimido, portanto isso também tornava ainda tudo mais difícil. Apertei o compressor para subir, e só descansei enquanto me encontrei fora de água. Expliquei a situação ao instrutor e ele sugeriu adiar os 2 dias que me faltavam do curso para outra altura. Era a primeira alteração dos meus planos e receei que nao fosse a última. Tinha falhado a minha primeira missão, o meu nível 1.

Finalmente regressei a terra, e deixaram-me à porta da pousada. Subi as escadas e fiz o check-in. Baralharam-se e mudei 2 vezes de quarto. Tomei banho, preparei-me para sair. Mas para onde? Sentei-me no sofá à espera que alguém se decidisse a meter conversa. Desisti… Perguntei na recepção onde podia ir comer algo. Sugeriram-me o mercado, após dar várias voltas, fui a uma barraca, apontei para o arroz e acenei que era aquilo que queria. Esfomeada engoli o prato de arroz e terminei em menos de 3 tempos. Voltei, toda a gente na recepção parecia estar integrada, excepto eu…

Passaram-me pela mente todas as vezes que ouvi – you’re going to be fine! 2 weeks is nothing, etc… pela primeira vez pus a hipótese de que se calhar não estava destinada a suceder…
A acrescentar, descobri uma coisa que não sabia sobre mim: medo de águas profundas. Tudo fazia agora sentido, aqueles minutos de mentalização que levo antes de pôr a cabeça debaixo do chuveiro, ou até mesmo os mergulhos na piscina que requerem horas de preparação mental. Adianto já que não acabei o curso, fisicamente a recuperação não aconteceu, ainda hoje sinto a cabeça dentro dum aquário e mentalmente também julgo que não me sentia preparada. Encontro-me agora entre papeladas de seguros e arriscando a perder o dinheiro. No entanto continuo a achar que é um medo que tenho de superar e um desafio para próximas aventuras, adianto aliás que já sei exactamente onde quero fazer o curso.

Respirei fundo, fechei os olhos e esperei pelo passo seguinte: “true wisdom gives the only possible answer at any given moment, and that night, going to bed was the only possible answer…” [eat, pray, love]

Subindo para o beliche, sabia que ainda apenas tinha começado mas no entanto já me sentia em GAME OVER…

3 Comments:

Blogger Billy said...

Daqui deste lado tens uma buddy que também não se mete nas águas profundas, eu seja santa! Eu sou mais snorkel e já é muito...

20:14  
Anonymous Rita in London said...

Ola Brave Girl!
Sinto a tua dor de igual forma! Tentei tirar o curso, fiz a teoria, a pratica em piscina e depois quem eh que me metia no mar???Ainda engoli em seco 1vez e la fui tentar, mas ironia do destino, fiz uma rotura muscular antes de entrar para o barco e nunca mais...
Talvez um dia quando tiver um outro buddy!Se te aventurares por mares portugueses faco me de convidada para ser tua buddy!
Nao quero admitir que descobri um dos meus limites!

Estou a gostar muito das tuas historias! Quero mais!

beijo Rita

14:37  
Blogger prainha said...

Aceito o convite de buddy mas tenho uma contra-proposta: não pode ser em Portugal.
Como diria o meu instrutor de Scuba, if the water is below 27ºC I'm not entering, I freeze!!!
Deu-me vontade de rir, mas no fundo ele tem razão. Que tal Austrália ou Maldivas ou Sipadan, candidata a 1 das 7 maravilhas naturais do mundo? Pensa nisso...

22:20  

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